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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Idioleto



Quatro são os estados da matéria, as fases da lua e as fases da vida; quatro são os elementos primordiais e os pontos cardeais; quatro são as operações básicas da matemática, os naipes do baralho e as folhas do trevo da sorte; quatro é o número sagrado dos zia e quatro são as nobres verdades do budismo, as matriarcas do judaismo, as faces dos querubins, os tronos de deus e os arcanjos do islamismo e os objetivos da vida do hinduismo; quatro são os planetas do sistema solar gasosos e quatro são os rochosos; quatro são as luas de júpiter; quatro são os nucleotídeos do dna e do rna, as câmaras que existem em nossos corações e os tipos sanguíneos que por elas correm; quatro é a valência do carbono que é a base da vida na terra; quatro são as forças fundamentais que regem o universo que tem quatro dimensões; quatro é a base da quadratura na música, o mais utilizado número de pulsos em um compasso, as cordas dos quatro instrumentos mais utilizados em orquestras e os movimentos de uma sinfonia.
Quatro são as estações do ano.
Assim sendo, que continuem as estações.

domingo, 29 de novembro de 2009

Viajando no ônibus - 3° divagação



Estou sem nada para ler, o que fazer?
Feche os olhos.
Respire fundo.
Isto.
Ouça o que há ao seu redor.
Pesque a conversa alheia.
É muito interessante. 
Uma viagem sonora, uma cacofonia, um palimpsesto nonsense.


Ô motorista, vai descer, abre a porta aí porque segundo a dialética negativa do Adorno, aquele professor filha da puta passa na Paulista, vê que coincidência? Além disso eu briguei com meu pai de novo, maldito governo, e depois encontrei ele na festa de ontem super bêbado e, desesperado porque perdi meu emprego, fiz minhas unhas num salão perto de casa no dia que choveu pra caralho. Falando nisso, quando eu era pequeno eu tava trampando lá no banco, mas eu tava meia calabreza e meia escarola e acabei voltando a pé por causa do cara que vem com a mesma roupa todo dia. É muito legal, tá no youtube, até tirei foto, ele teve filhos super cedo e não sei porquê todo mundo fala tanto no livro que tem piscina, quadra, cento e noventa e dois cavalos e vi em promoção nas casas bahia. Na hora eu não acreditei e gritei Deus do céu, que calor infernal é esse, eu te amo, quer que segure sua dívida externa com fritas?



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Coincidência



Como definir a sensação que uma coincidência causa em nós?
Talvez uma espécie de susto com um sorriso com medo com dúvida com indignação com sorte com não, não é nada disso.
Mas para que definir, se não sou filósofo nem dicionário para me preocupar com isso? 
Não importa, não estou aqui para isto. 
O que importa é que antes, para mim, a coincidência era uma quimera de sete cabeças que me assombrava durante dias quando vinha pousar sobre minha sorte, mas hoje, depois de tantas visitas tão frequentes, já não estranho nem temo o bichinho. 
Afinal, nunca me fez mal algum e, pelo contrário, muitas vezes me trouxe muita sorte.
Assim como os antigos, que veneravam certas criaturas, considero esta como um sinal de bom agouro. 
O legal é que quanto mais gosto dela, mais ela aparece para mim.
Como disse, já não temo nem estranho a coincidência. Mas me surpreendo, é fato. 
Sempre me assusta, de tão inesperada sua chegada, mas logo penso "ah, é você de novo, danadinha!" e pego ela em minha mão para observá-la. 
Nunca consigo entedê-la, nunca consigo desvendá-la, até porque, uma das cabeças dela tem forma de esfinge.
Mas sempre adoro quando ela chega assim perto de mim. Tão bela, tão poética, tão misteriosa, tão poderosa que é o bichinho.
Mas tão de súbito ela vem, sem aviso ela se vai, sem deixar rastros, sem deixar respostas, sem deixar nada além de uma poeira fina que quando respiro me dá um arrepiozinho.
E você deve estar se perguntando, e qual é a moral da história?
Nenhuma.
Não estou escrevendo com um objetivo, apenas estou escrevendo, porque a última visita que ela me fez acabou despertando em mim este desejo de escrever sobre ela.
Estava eu a reler Todos os Nomes, do Saramago, acompanhando passo a passo os dias do Sr. José, protagonista da história e quando chego ao, não se preocupe, não vou estragar o final, quando chego ao final, viro a última página e ali encontro uma nota fiscal meio apagada onde se lê "de Registro Civil das Pessoas Naturais". 
Uma notinha fiscal, nada de mais, se Sr. José não trabalhasse na Conservatória Geral do Registro Civil. 
Depois fui descobrir que minha mãe, por acaso, sem ter com que marcar as páginas, pegou o primeiro papel que estava ao alcance de suas mãos e havia usado aquele papel para marcar as páginas.
Podia ter sido qualquer outro papel, qualquer outra nota fiscal.
Coincidência.
Daí, maravilhado com isso, lembrei de outro livro.
Quando fui comprar Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho em inglês, fui à livraria numa quinta-feira.
Como não havia nenhum exemplar no estoque, o funcionário encomendou e disse para eu buscar o livro na terça-feira, dia que fui, comprei e comecei a ler.
Exatamente uma semana depois, numa terça-feira, acabei de ler os livros e fiquei sabendo que terça-feira era o dia da semana que Lewis Carrol, pseudônimo do autor, considerava como seu dia de sorte.
Coincidência.
Semana passada, minha mãe estava a falar que não conhecia muitos Vinícius, que não era um nome tão comum, e quando ouvi o nome, lembrei que na noite anterior havia sonhado com Vinícius de Moraes.
Coincidência.
E houve certa vez um outro sonho, em que fui atacado por três cachorros brancos grandes. Acordei aliviado, sabendo que não é todo dia que se vê três cachorros brancos grandes juntos em um mesmo lugar, até que algumas horas depois, um velho amigo de meu pai convida-nos para jantar em sua casa naquela noite e lá no quintal, o que havia?
Pois é, nem cheguei perto deles.
Coincidência.
Falando em amigos de meu pai, meu pai ficou anos sem ter notícias de um velho amigo, até que um dia ele pegou um caminho que nunca faz, sem motivo algum, e encontrou a esposa deste seu amigo. Naquele dia, fazia exatamente um ano que a mulher com quem ele se encontrou havia se tornado viúva.
Coincidência.
E se continuar a fazer uma retrospectiva então, vixi, a lista é grande.
Só para falar muito por cima das recentes deste último ano, limão, pés, Trianon, número quatro, valsas, uniforme, som estéreo, sem açúcar, apelidos de parentes, Clarice, casa brasileira, Angra, batatas e cervejas, FAU, retas, ondas, nomes e sobrenomes, sonhos, ligações, mensagens, música, telepatia, antepassados, desejos, cicatrizes, vidas, livros, e por aí vai.
Sinceramente, não se o que seria de minha vida sem a coincidência.
Selvagem, voa livre, enigmática como uma esfinge, silenciosa e manhosa como um gato. 
Bichinho bonito, essa coincidência.





quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nonsense...?



Um sonho. 
Um sonho branco. 
Branco como a lua. 
Branco como o leite. 
Branco como a neve...
Branco como um elefante branco. Ponto.
Um sonho branco.
Foi um sonho branco que me despertou para a realidade.
Uma realidade colorida, com todas as cores que juntas formam o branco que de todas as cores é formado e que juntas formam o branco.
Foi um sonho que me despertou para uma realidade em que tudo me parece um sonho, mas a realidade é que é inacreditável.
Uma realidade deitada sobre uma rede macia de coincidências e absurdos e toda coincidência é um absurdo, mas o que não é absurdo ou mais absurdo que a realidade?
Eu gosto do absurdo.
Gosto de usar a imaginação a favor das palavras e vice e versa.
Mas talvez não seja preciso palavras tampouco imaginação para assistir a uma retroescavadeira dançar balé de maneira tão leve, delicada e feminina.
Não, certamente não é preciso.
Assim como não é preciso Lucy para haver Sky with Diamonds, também não é preciso pergunta para haver Because, nem é preciso ter sangue no álcool para conversar horas sobre uma cowgirl capadora de anões.
Não é preciso ser criança para brincar de bichinhos nem ser surrealista para desenhar vacas voadoras e muito menos ser biólogo para descobrir joaninhas sangue-sugas. 
Quem dirá então fazer música sem som e improvisar um dueto na clave muda, é claro que isto também é perfeitamente possível.
Se tartarugas podem ser pombos-correio, por que não?
Se é possível luzes serem sólidas e fogo um líquido que corre nas veias, se é possível madeiras se teletransportarem e suco de pêssego brotar da pele, então tudo é possível. 
Sim, tudo é possível.
Posso me ferir e ver a cicatriz em outro corpo, posso assistir um coração valsear, posso ouvir minha voz em som stereo sem artifícios tecnológicos, posso ter anteninhas, quatro braços e oito dedos no futuro e perceber assim que o número quatro me persegue.
Já vi gente destruir um poste com um beijo e acordar na mesma noite com um canto de um galo em plena metrópole e no mesmo recinto acordar ao lado de uma tartaruga laranja que não voa sendo que seu reflexo acorda ao lado de um peixe azul.
Azul e laranja que são cores complementares que me lembram no final o branco do sonho.
Um sonho branco.
Um sonho branco que me tornou fluente na língua do olhar.
Agora o abrir e fechar das pálpebras substituem o abrir e fechar da boca.
Um fio invisível amarra as cavernas entre as íris e se podemos conversar, porque não beijar com os olhos?
Um beijo úmido, tão molhado e intenso que uma lágrima escorre da boca dos olhos até a boca boca. 
Bocas bocas que suspiram de saudade que na realidade não é uma questão de tempo, mas de distância.
E se nada disso fizer sentido nenhum, não tem problema algum.
O amor é seu próprio sentido.



quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O tempo passa, o tempo voa

e a poupança Bamerindus continua numa boa!

Sou da época em que tubaína não era vintage e era comprada com cruzeiro no buteco da esquina que vendia Miranda e guaraná Taí em garrafas feitas de vidro, como as bolinhas de gude que não eram decoração, mas um esporte nacional como Gogos, só não mais importantes que bater figurinhas, rapar tazos e ver o Senna estourar champanhe no pódio que por sua vez não era mais importante que o futebol que ainda tinha Tafarel e Bebeto ganhando copas do mundo, tudo acompanhado pela tevê que não era digital, não era a cabo nem a satélite, não era plana nem plasma, era um tubo de raios catódicos disfarçado de cubo com a tela curvada para fora onde figuras bizarrézimas como Vovó Mafalda e Fofão entretiam a criançada de manhã, que também gostava de adivinhar em que porta escondia o monstro no programa do Sérgio Mallandro, que não era mais estranho que quatro tartarugas ninja falantes com nomes de gênios renascentistas italianos viciadas em pizza treinadas por um rato gigante de kimono lutarem contra um rinoceronte e um porco que trabalhavam para um chiclete mastigado dentro de um robô de cueca vermelha, mostrinho que só não era mais serelepe que os vilões de isopor e resina facilmente transformados em faíscas pela Espada Olímpica de Jiraya, japa que só não era mais legal que o Jaspion, que tinha cabelo igual ao que mamãe usava para combinar com jaquetas de couro, camisetas largas e calças acima do umbigo que eram a última moda descolada, como podíamos ver na MTV que passava, pasme, clipes musicais como Black or White, com Michael Jackson ainda vivo e que também aparecia Macaulay Culkin, que ainda era uma criança que não usava drogas e aparecia em filmes de Sessão da Tarde, junto com Lagoa Azul, filmes de cachorro, de pimpolhos ninjas e Robocop, mas eu estou falando do Robocop durão, não o Robocop Gay da música dos Mamonas Assassinas, que falando neles, meu pai tinha uma Brasília Amarela que foi trocada mais tarde por um Opala prateado, carrão estiloso para macho, já que direção hidráulica e terceira marcha era coisa de boiola que nem o Freddy Mercury, que deixou saudades assim como Renato Russo, e os dois faziam música em uma época em que música de rebolar era dançada pela Carla Perez, teclado ainda tinha som de teclado e música de video-game ainda tinha som de música de video-game, que só rodavam se a gente soprava o cartucho, mas quando rodavam era uma maravilha passar a tarde correndo com um porco espinho azul, crescendo com cogumelos e dando hadouken em personagens étnicos como um brutamontes russo, e os russos eram sempre os vilões dos filmes que queriam dominar o mundo, e eu nunca entendia o porquê, mas adorava ver o clichê de o mocinho desativar a bomba quando faltava um segundo para tudo ir pelos ares, era sempre uma surpresa, apesar de prevista, como o Kinder Ovo, que custava só 1 real, e tinha o slogan "um chocolate, um brinquedo e uma surpresa", que minha mãe ou meu pai compravam às vezes, trazendo de metrô quando a linha verde ia só até a estação Clínicas e quando ainda não dava para ligar no celular pedindo um ovinho porque celulares ainda não existiam e portanto não tiravam fotos, pois esta era uma atividade restrita às câmeras de filme que não eram coisa de profissional, era coisa de um amador qualquer, ao contrário dos computadores, que estavam começando a ficar populares e a internet era novidade, lerda e discada, que servia basicamente para conversar no icq, era tudo tão lerdo que nem corrente dava para mandar, isso era feito pelo correio, que ainda tinha várias caixinhas amarelas no meio da rua para você deixar cartas, e na rua as pessoas andavam sem iPod, mas com Walkman, que funcionava com fitas cassete, menorzinhas que a dos filmes das videolocadoras que tinha um montão em cada esquina, mas que tinhamos de rebobinar antes de devolver ou de assistir, como quando a gente gravava um programa na tevê, e eu gostava de assistir As aventuras de Tin Tin, Família Dinossauro, Tv Colosso e Cavaleiros do Zodíaco, e desses eu tinha até os bonequinhos de armadura, que devem estar guardados empoeirados em algum lugar junto com meus bloquinhos de Pequeno Engenheiro, meus Playmobils, minhas fichas de fliperama, meu baldinho de Lego, que ainda não tinha engrenagens complexas, e meus carrinhos de fricção, atrás dos quais eu corria com meus tênis que acendiam luzinhas ou com meu Kichute sem me preocupar com política numa época em que o Lula comia PF nem dar a mínima se o mundo iria acabar no ano 2000 com o bug do milênio ou com a invasão alienígena do ET de Varginha. 
Mas isto tudo, meu jovem, é coisa do milênio passado.



quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pequenos incômodos do dia a dia - incômodo 2


Moro num país tropical, numa cidade de clima indefinível, num prédio de um bairro desta cidade que, assim como outros prédios, tem garagem no subsolo.
Com alguma frequência, desço de elevador para a garagem e ele pára no térreo, porque algum outro morador que deseja subir chamou o elevador quando eu estava descendo.
Sempre que isto acontece, o cidadão abre a porta do elevador, olha para mim, aguarda um momento para se certificar de que eu não vou descer no andar térreo em que ele se encontra e pergunta educadamente: "está descendo?" e eu respondo obviamente afirmativamente, e então a pessoa cordialmente solta a primeira porta que se fecha sozinha e esta aciona o fechamento da porta do elevador que, somente quando fechado novamente, continua sua jornada ao subsolo.
É claro, eu também por vezes sou o tal cidadão acima. Mas o fato é que todo este ritual me incomoda e eu, quando sou o condomino que se encontra no térreo, se vejo que o elevador está descendo, não aperto o botão, já que certamente ele está rumo à garagem, pois se ele fosse parar no térreo, o botão estaria aceso.
É claro, eu também por vezes aperto o botão por costume ou por distração. Mas o fato é que quando o elevador pára no térreo, eu entro mesmo sabendo que ele vai descer. Isto me poupa o trabalho de abrir a porta duas vezes e consequentemente me poupa o tempo de esperar as duas portas se fecharem duas vezes.
É claro, as pessoas que se encontram no elevador, ao me verem entrar, me avisam com solidariedade que o elevador está descendo, porque por algum motivo elas acham que não percebi e que prefiro esperar mais tempo no térreo e fazer todo o ritual das portas duplas.
O mais engraçado é que quando respondo que não há problema, que não me incomodo de passear um pouquinho de elevador, elas sorriem e acham que sou um cara bacana, daí fico sem graça de dizer que na verdade é uma questão de evitar paradas desnecessárias porque o elevador terá necessariamente de descer para depois subir novamente e sorrio hipocritamente de volta.
O lado bom é que um ou dois andares, do térreo ao primeiro ou segundo subsolo, não é o suficiente para precisar falar com os moradores deste prédio deste bairro sobre o clima indefinível desta cidade deste país tropical.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pequenos incômodos do dia a dia - incômodo 1


Eu entendo que temos de respeitar os mais velhos, minha mamãe me ensinou isso muito bem.
Mas convenhamos: se o mundo fosse um lugar mais prático, os velhinhos subiriam depois no ônibus, não antes.
Claro, sim, eu sei, a melhor solução seria entrar por trás e pagar na saída pela frente, como em alguns países, mas descartando reformas no sistema de transporte público, porque além de utópico, tratando-se de São Paulo, é demorado, não é prático nem depende da gente, olha só, é só analisar os fatos:
Eles sobem devagar e ficam ali na frente. Os demais passageiros devem se movimentar para a parte pós-catraca do monstro geométrico urbano e, para isto, devem passar obrigatoriamente pela parte pré-catraca, onde se aglomeram os velhinhos. O resultado óbvio desta tradição é que os velhinhos atrapalham o fluxo de pessoas e ainda sofrem sendo esmagados por todos os passageiros que vão para a parte de trás.
Conclusão: todo mundo se fode.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Por falta de palavra melhor...


Defina: Arte
Defina: Amor

Dois dissílabos de quatro letras iniciados pela letra A.
Dois signos criados para designar algo muito além do que é possível explicar.
Duas coisas que acompanham sempre a humanidade desde seus primórdios.
Duas coisas que estou em vão tentando definir já sabendo de antemão que são indefiníveis.
Duas palavras cujos significados não cabem em si.
Duas coisas que estão além da ação aparente, já que pintar é bem diferente de fazer arte e transar é bem diferente de fazer amor.
Duas coisas tão óbvias e tão complexas ao mesmo tempo.
Duas coisas que quebram os paradigmas, que nos faz quebrar os paradigmas.
Duas coisas que iluminam e confundem ao mesmo tempo.
Duas coisas que nos faz passar por loucos.
Duas coisas que movem os sonhadores e embelezam o mundo.

Chega.
Por que tentar rotular "o que não tem receita, não tem vergonha, não tem governo, não tem juízo. O que não tem limite. Nem nunca terá."?

Por falta de palavra melhor.








te amo









quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cobertura da greve (das idéias)


Quer saber, vou mostrar quem é que manda aqui. 
Vou demitir uma idéia. Isso mesmo, vou demitir uma idéia.
E qualquer outra que se rebelar vai ver.
Será dizimada por minhas idéas terceirizadas. Rá!

Claro, fui muito ingênuo ao falar tudo isso acima.
São as idéias que me possuem.
O que ocorreu na verdade é que uma idéia, a expressada na primeira frase, não era a favor da greve, muito menos com o diálogo com as outras idéias, e tomou conta de minha cabeça na tentativa de se impor. 
Nisso, outras idéias se uniram às idéias em greve.
Minhas idéias estão em conflito e eu apenas assisto, pois sou apenas o palco desta discussão infinita. Já estou vendo no horizonte outras idéias chegando com escudos, armas e bombas para dizimar idéias que só querem seu direito de se expressarem.


sábado, 6 de junho de 2009

Greve das Idéias


Minhas idéias entraram em greve e eu, que achava que as submetia sob meu poder, vejo que sou, na verdade, escravo delas.
Essa idéia de greve das idéias, por exemplo, como as minhas, ou melhor dizendo, as que me possuem, estão em greve, peguei do blog escondido sob o link Mundaréu, aqui bem do lado direito da tela, tá vendo?
C`est la vie, mon ami. 
Minhas idéias se recusam a trabalhar, então tive a idéia de terceirizar, roubar ou comprar no mercado negro. 
Aliás, esta idéia também não é nova nem é minha. 
Se bobear, deve ser a idéia mais antiga que a humanidade já teve, o que me faz pensar que nenhuma das idéias que tenho são de fato minhas, o que, por sua vez, me faz pensar na seguinte questão: de onde vêm as idéias?
Hum, acho que tive uma idéia! (Ou será que ela me teve? Também não se de onde ela veio nem sei se é minha.)
Vamos ver para onde ela me leva...



quarta-feira, 15 de abril de 2009

Como o cérebro atrapalha a escuta


- E é claro que não preciso dizer que...

Como assim "é claro que"?  
Se fosse assim evidente, você não diria que não precisa dizer o que acabou de dizer que não precisa dizer, o que quer dizer que, de alguma forma, o que você supostamente acabou de dizer que não precisava ser dito precisava sim ser dito de alguma forma, o que quer dizer que essa maldita expressão "não preciso dizer que" é imbecil, ainda mais se antecedida de um "é claro que", afinal, se você diz que não precisa dizer que algo, por que você diz logo em seguida o que acabou de dizer que n

- Não concorda comigo? 
- Ahn?


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Vento


Um suave sopro que é todas as melodias, num movimento invisível, traz o perfume da saudade, que infla as velas de meu barco e me carrega em direção a alguma ilha desconhecida.
Não sei ao certo da onde vem nem para onde vai, mas conheço seu sentido quando passa por mim e não há nada mais agradável que respirar o vento.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Chuva


Na metrópole, todas as palavras inexistentes, não ditas e evaporadas estão caindo do céu.
Hoje, chove forte, e guarda-chuva nenhum consegue deter o torrencial de palavras.
Pela janela, olho as pessoas.
Estão encharcadas até os ossos.
Pelo espelho, me olho.
Estou com uma goteira nos olhos.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Idioleto


Até então, tudo lhe era incrivelmente previsível.
O Sol nasce de cá, a Terra gira para lá, uma árvore cai aqui e uma bomba, acolá.
Nada lhe era completamente novo.
Foi quando, ainda jovem, partiu de sua cidade e enterrou seus sonhos, para que ninguém os roubasse.
Partiu, acreditando que o mundo era uma grande máquina movida por mais de seis bilhões de engrenagens igualmente previsíveis.
Ele, assim como todas as outras partes mecânicas daquele mundo, possuia um coração que batia, previsivelmente, repetitivamente e, por que não, cansativamente, em 4/4.
Foi então que foi pego de surpresa.
Aquela série de eventos aleatórios ocorridos pouco antes de sua jornada havia alterado seu funcionamento, sem que ele percebesse.
Ainda podia ouvir aquela pulsação em 4/4, mas percebeu que seus pés dançavam uma valsa sobre um chão de vidro.
Não podia determinar ao certo desde quando, nem como e muito menos o porquê, mas já era tarde.
Aquele estranho paradoxo ternário já havia começado, sem que ele pudesse prever o final daquela valsa.
Tudo o que ele podia fazer era esperar, e deixar que aqueles pulsos entrassem em sincronia, sem se preocupar com o resultado das tangentes daquela poliritmia.
Assim sendo, que comecem as estações.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Função poética










Afinal, o que seria da palavra se não houvesse a poesia?











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Feliz natal e um 2009 mais poético aos leitores deste blog.


terça-feira, 4 de novembro de 2008

O Carequismo

O Carequismo é um movimento ecológico surgido durante uma conversa informal de duas pessoas cabeludas de saco cheio de vegetarianos com postura de crentes evangélicos na primeira década do século XXI.
O movimento defende um utópico mundo em que todos são carecas por livre arbítrio por todas as vantagens que isto traria à humanidade, e pretende convencer as pessoas pelos seguintes argumentos:
  1. Cabelo atrapalha. Prende ali, alguém puxa de lá, cai na cara, entra no olho, etc.
  2. Cabelo dá trabalho. Corte que fica estranho, tintura que desbota, chapinha que não pode molhar, precisa lavar, hidratar, secar, passar condicionador, cera, gel, creme, etc.
  3. Cabelo mostra a idade. Todo mundo quer esconder um fio branco. Se não tem fio branco (nem de qualquer outra cor), não tem o que esconder.
  4. Economia de água. Todo mundo sabe que cuidar das madeixas é o que mais gasta água durante um banho. Calculando uma média de 15 minutos de banho com cabelo e de 5 sem, o consumo de água cairia de 135 para 45 litros.
  5. Economia de tempo. Menos tempo no banho, menos tempo secando o cabelo e passando poções mágicas, menos tempo no cabeleleiro. Estima-se que haveria um ganho útil de pelo menos cinco anos de vida sendo careca.
  6. Menos substâncias químicas. Menor exposição a produtos químicos, garantindo melhor qualidade de vida e menos poluentes despejados nos rios e mares.
  7. Mais roupas ecológicas. Já há gente que faz tecido com cabelo humano. Não precisariamos de campanha do agasalho se todo cabelo fosse transformado em roupas.
  8. Solidariedade com os carecas. Os desprivilegiados geneticamente passarão a se sentir privilegiados.
Olha, isso poderia até ser uma boa idéia e traria melhorar significativas em termos ecológicos, mas está aqui de palhaçada. Você lendo isso deve ter pensado em uma dúzia de contra argumentos, mas a questão é que se você convencer um vegetariano a virar adepto do carequismo, por favor, me avise.
Se você não entendeu o nexo entre o carequismo e o vegetarianismo, procure-me mais tarde. 
E antes de qualquer equívoco, isto não foi o manifesto carequista, sou cabeludo e como picanha.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Quantas cores tem o céu?

Acordei quando o sol focava seu olhar em meu andar, interrompendo um sonho em que eu estava a andar e a perguntar ao sol sobre as cores do céu.
Ainda pseudoacordado, ou talvez semidormindo, abri a janela para que o dia, de súbito, substituísse a noite escura de meu quarto.
Logo, o astro invadiu o cômodo com seus longo cílios que tudo iluminavam.
Não, desculpe, ele não invadiu.
Ele apenas entrou sem pedir licença, pois sabia que era bem vindo.
Sua presença radiante estava ali, por todo meu quarto, enquanto boiava alto na imensidão azul do firmamento.
Naquele dia, fitei o céu, prestando atenção em sua paleta de cores.
O azul celeste, o cinza tempestade, o o branco algodão, o cinza poluição e as cores do arco íris.
Logo, viria o negro da noite, salpicado com estrelas e fogos de artifício.
Apesar de ser incrível a riqueza de cores que navegavam sobre nossas cabeças, nenhum momento era mais belo que a aurora e o pôr do sol.
Quando o sol nasce ou se vai, quando está na linha do horizonte que separa o ontem e o hoje e o hoje do amanhã, ele mistura gotas do dia e da noite, transformando o céu em um espetáculo caleidoscópico.
Não era à toa que os apaixonados escolhiam aquele momento de matizes mutantes para se declararem à beira do mar, enquanto admiravam o imenso espelho d'água refletir o olho do céu e a espuma das ondas, alvas bailarinas, dançarem com a própria canção e mudarem a cor de seus vestidos.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Infância Urbana


Roubar goiabas colhidas na goiabeira do vizinho é algo tão distante como a infância de minha mãe.
Para mim, as goiabas sempre vieram dentro de sacos plásticos etiquetados com códigos de barras.

Ir a uma fazenda e ver eqüinos, bovinos, caprinos, suínos e galináceos era um passeio tão divertido como ir ao zoológico.
Ordenhar vacas, então, era uma experiência tão única como ir a um aquário acariciar golfinhos.

O céu estrelado que eu via com mais freqüência era o teto com estrelinhas que brilhavam no escuro do quarto de um amiguinho da escola, seguido pelas rodomas dos planetários.
Estrelas cadentes, infelizmente, jamais riscavam o céu iluminado de minha cidade.

Buzinas, motores, xingamentos e derrapagens sempre foram para mim os substitutos de conversas de grilos e sapos durante à noite.
Acordar com o canto de um galo sempre foi algo tão surreal que eu achava que só acontecia nos desenhos animados.

Brincar lá fora significava sempre dentro de algum lugar que não tinha teto, mas ainda assim cercado por muros.
Sair de casa pela janela do quarto, por sua vez, significava uma mortal queda de dez andares.

Assistir ao pôr-do-sol era um evento reservado às férias, uma vez que, em minha cidade, o horizonte se esconde atrás dos arranhacéus.
Já assistir à televisão, era um evento corriqueiro para o qual reservava todas minhas manhãs.

O ar puro com cheiro de grama verde era por mim tão apreciado como o cheiro da chuva.
Meus pobres pulmões cresceram inflados com fumaça de carros e cigarros alheios.

Brincar na lama tinha em minha infância um equivalente chamado piscina de bolinhas.
Nadar em um rio era impossível, já que o único de minha cidade era um depósito de lixo que se movia.

Soprar dentes-de-leão e pisar na grama com os pés descalços eram um deleite e um delito, já que a grama, tão rara em concreto e asfalto, segurava placas que proibíam-me de pisá-la.
Soprar fitas de video-game era um ato maquinal que me preparava para, com meus ágeis dedos, ligar um jogo e desligar-me do mundo.

Para mim, lenha era algo que queimava em lareiras de filmes de Hollywood e gás era a única coisa que podia alimentar o calor um fogão.
Para mim, pescar ou caçar girinos e borboletas já eram atos considerados anti-ecológicos.

A fogueira, com seus estalos e suas fagulhas, era um objeto de contemplação.
Estradas de terra, com seus buracos e sua poeira, eram um caminho para outra civilização.


quinta-feira, 20 de março de 2008

Perfil de Orkut

sexo: muito liberal, de esquerda, com outra(s) pessoa(s)
relacionamento: tentando parar, autoritário ao extremo
ano de nascimento: depende
intessado(a) em: poder, riqueza material
filhos: prefiro que fiquem no zoológico
religião: na moda
visão política: seco/sarcástico
humor: negro
orientação sexual: sem fins lucrativos
estilo: gay
fumo: com meus pais
bebo: com filho(s)
animais de estimação: homens e mulheres
moro: jogatina e cassinos
quem sou eu: não consta na lista
paixões: panturrilhas
esportes: nadar nu
atividades: não
cozinhas: gosto de animais de estimação
o que mais chama atenção em mim: heterossexual
altura: pós-doutorado
tipo físico: casado(a)
aparência: pateta/palhaço
do que mais gosto em mim: mel
o que me atrai: título de mestre
o que não suporto: só eu
primeiro encontro ideal:

com os relacionamentos anteriores aprendi: não
cinco coisas sem as quais não consigo viver: material erótico, índias orientais, título de tecnólogo, fumo, defesa aeroespacial
no meu quarto você encontra: cabelos compridos, mãos, braços, pés, luz de velas, indígena americano
par perfeito: sim - não moram comigo

sábado, 15 de março de 2008

Cogito, ergo sum

A palavra relacionada a Descartes é:

a) Cartomante
b) Cartagena
c) Carteiro
d) Descartável