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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nota sobre o ensino - 3


As monocotiledôneas são um grupo de angiospérmicas cujo embrião tem, tipicamente, um só cotilédone, raiz fasciculada e folhas paralelinérveas, diferentemente das dicotiledôneas, cujo embrião possui dois ou mais cotilédones, raiz axial e folhas de nervação reticulada.
Contudo, apesar de suas contrastantes diferenças (ou quiçá graças a elas), ambas possuem a função comum de serem decoradas para se passar no vestibular.


sábado, 19 de setembro de 2009

Nota sobre o ensino - 2


Suponha que você está a bordo de um trem bala submarino a uma profundidade de 3,48 milhas no Oceano Índico. Considere que a água do mar é composta de 96,5% de H2O, 2,87% de NaCl e 0,63% de Coliformes Fecais de origem primata e a densidade pode ser calculada considerando que aproximadamente 1,2044 × 10
24 e moléculas de gás hidrogênio reagem com 6,022 × 1023 moléculas de gás oxigênio, formando 1,2044 × 1024 moléculas de água, a massa atômica do hidrogênio é de 1,00784u e a massa atômica do oxigênio é de 15,9994u, 1 mol de NaCl tem 58,5 gramas e os coliformes fecais não possuem massa. No instante t=0,44ms, o trem está a uma velocidade de 58,2km/m e possui uma aceleração de 95m/s. Considere o coeficiente de atrito com a água marinha sendo raiz quadrada de 0,87µ. Tendo estes dados, suponhamos que no instante t=4h21m43s o trem esteja emergindo na superfície do oceano e que o ar possua uma densidade de 1,21kg/m³ mas desconsidere a resistência do ar pois o trem, durante o percurso, mais precisamente no instante t=467m104s , atravessou um buraco de minhoca em uma dobra espacial e desembocou no oceano de Corot-7b, um exoplaneta onde a gravidade é raiz cúbica da Terra vezes 8,7 fatorial. Considere a gravidade da Terra como sendo de 9,80665m/s2. 
Visualizado o contexto com base nos dados acima, agora considere você respire em um ritmo constante num compasso de 17/8 em um andamento de 97. Considere também que você possua capacidade de respirar água, que seus pulmões possuam uma capacidade volumétrica de 4,79 litros e que você passe a respirar ar quando o trem no qual você está a bordo emerge na superfície do oceano do exoplaneta, cujo ar possui a mesma densidade da Terra mas é composto por 99,2% de urânio 238 e 0,08% de microscópicos alienígenas inteligentes com QI de 70π e suficientemente pequenos para que possam ser inspirados e cair na sua circulação sanguínea. Para simplificar os cálculos, considere que seu coração sofra mutação pelo urânio e que passe a bombear o sangue a uma pressão de 80mm/Hg.
Com base nestes dados, calcule, em números romanos, o quanto é importante resolver este problema e justifique sua resposta com contra argumentos em rimas alexandrinas.


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Nota sobre o ensino - 1


Mesmo dizendo que este mundo afora é selvagem e competitivo, o fato é que ainda faltam muitos profissionais capacitados para exercerem suas funções com eficiência e competência.
Pensando nisto, vou colocar aqui um mini-curso profissionalizante, para que você possa ser um destes vencedores dignos de sua função. 
Deveras, não é preciso muito para exercer uma profissão como professor de design, seja de projeto visual ou de produto, mas o mercado carece de educadores competentes.
A metodologia é simples e você mesmo, que não tem experiência nenhuma, pode virar um.
Basta seguir as quatro etapas básicas listadas a seguir e você já está pronto para dar aulas.
  1. Basta mostrar que seu ego é grande, bem grandão, e inventar algum motivo de projeto que ninguém colocará em prática na vida real.
  2. Terminada esta primeira etapa, ministre umas duas ou três aulas teóricas baseadas em fontes completas e confiáveis, como a Wikipédia em português, e peça para que os alunos formem grupos.
  3. Daqui até a última aula, faça aulas atendimento e xingue os alunos, a mãe dos alunos e, se quiser e estiver inspirado, o trabalho dos alunos também. O principal motivo disto é que é terapêutico e você pode descontar suas carências e problemas pessoais neles. Não tenha medo de usar palavrões e xingue mesmo se achar que o trabalho está bom, pois isto estimula a produção deles e você pode fazer eles terem menos noites de sono, mesmo que em vão, até o último dia de aula.
  4. Por fim, a última etapa consiste em mostrar a toda a classe todos os trabalhos e dizer que nada está tão ruim assim. Sem ter medo de ser contraditório, diga-lhes que poderiam mudar isso ou aquilo, baseado, obviamente, nas idéias geniais que eles tiveram na primeira aula e que você descartou.
Seguindo este roteiro, você já está preparado para ser um professor de design. Para uma formação completa, há apenas mais dois lembretes. O primeiro é basear seu critério de avaliação no achei bonitinho ou não achei bonitinho. Os primeiros ganham uma nota aleatória entre 7,5 e 9,0 e os segundos entre 6,0 e 7,5. O segundo e último lembrete é passar todos os alunos, mesmo aqueles que não vieram nem fizeram nada, para evitar fadiga e cochichos sobre sua mãe e sua vida sexual nos corredores.

Nota: você não precisa complementar sua formação com um curso superior em design, pode imprimir esta página e assinar na linha abaixo, e isto serve como um certificado para exercer esta maravilhosa profissão, que não é regulamentada.


data: __/__/____
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 assinatura           




segunda-feira, 13 de abril de 2009

Notas musicais


"A música é a única arte que te pega pelas costas" (Millôr Fernandes)

Pois é, ela não pede nossa permissão. 
Não há como virar as costas ou fechar os olhos para dela fugir, até porque nossos ouvidos não têm pálpebras.
Ela penetra, invade nossos corpos e, em pouco tempo, estamos sob a posse deste espírito mais vivo que nós próprios que, antes de nos darmos conta, faz nossos pés marcarem o pulso ou mesmo valsearem um dois três um dois três...
E é justamente desta forma que ela nos faz perceber que, até ela nos atingir, estávamos ocos e vazios, e vai sutilmente nos preenchendo de vida, até o ponto que nos transborda e nos tornamos marionetes do som.
Dela nos emocionamos, nos alimentamos, nos embriagamos e nela achamos um refúgio.
Não importa quantas vezes se repita, a música se renova a cada momento, nos surpreendendo e nos tocando a cada instante, de maneira ainda mais intensa do que da primeira vez. 
Mal nossa música predileta termina e já estamos sedentos por ouvi-la novamente, pois cada escuta é um ato único, que depende de nosso estado de espírito, de nosso foco, de nossos desejos e do ambiente em que estamos.
Não importa quantas análises sobre ritmo, escala, andamento ou estilo alguém tenha feito; a música está além das palavras e do pensamento racional.
Ela é abstrata.
Uma nota só nada representa, pois não é simbólica como uma palavra ou uma imagem.
Contudo, a articulação de algumas delas começa a criar um sentido que, mesmo quando acompanhadas de uma letra, tem um significado muito próprio.
Ela faz rir ou chorar, evoca memórias e sentimentos, desenha paisagens, causa sensações e emoções.
É uma linguagem.
A partir dela, podemos nos expressar livremente qualquer sentimento ou pensamento, podemos ser quem somos sem máscaras e podemos até conversar com alguém de outro país por meio dela.
Talvez, a linguagem universal tanto buscada e até mistificada na narrativa da Torre de Babel seja a música, que todas as culturas tocam e a todas ela toca.
Ela é poderosa.
Seja ela utilizada como meio de expressão, como arte, como refúgio, como válvula de escape, como instrumento mnemônico, como linguagem ou como terapia, o poder da música é inegável.
Atemporal, ela sobrevive enquanto houver quem a ouça, independentemente da sua época de origem.
Imaterial, ela possui um perfume característico que, carregado de subjetividade, consegue tomar a forma do ouvinte. 
Invisível, ela preenche o ambiente e os que neles se encontram, criando uma atmosfera de sensações que não se dissipa simplesmente com o fim do som e o advento do silêncio.
Silêncio.
É só parar e prestar atenção.
Ela também reside no silêncio.









segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nota sobre programas infantis

Li uma matéria esses dias que falava sobre os Power Rangers e alguns outros programas infantis.
A pedagoga entrevistada afirmava que, apesar de mostrar pelo maniqueísmo que o bem e os valores morais são superiores ao mal, infelizmente ensina aos pequenos que a paz só se dá pelo uso da violência e da força bruta, sendo que o ideal seria o programa mostrar que na vida, a resolução de problemas pode se dar também por outros meios.

De acordo.

Todavia, lembrei que não só os Power Rangers, mas clássicos que marcaram minha infância como Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion e mesmo Tom & Jerry ou Pica-Pau (sendo que estes dois muitas vezes mostravam que o mal compensava muito bem), também mostravam que tudo se resolve na base do Cólera do Dragão, Espada Olímpica, bombas, dinamite, marretas, pianos como peça de artilharia, armadilhas entre outros, mas nem por isso minha geração termina um namoro com Meteoro de Pégasus ou esconde uma dinamite no sanduíche do chefe da empresa.

Além disso, mostrar idiotas vestidos com
um capacete e com uma roupa colorida coladinha numa assembléia com monstros de resina e isopor decidindo democraticamente quem ganhará, certamente não atrairia as crianças. Elas gostam de faíscas.
Talvez se os monstros intergaláticos pudessem mexer os braços, eles pudessem resolver as coisas com os mocinhos multicoloridos numa partida de poker.
Ou os Rangers poderiam passar para o lado de lá, afinal, quando um não quer, dois não brigam.

Ora ora, mas, convenhamos, temos de ensinar as gerações futuras como a vida é.
Pensei em um episódio em que o líder vermelho desvia dinheiro dos outros e suborna os monstros para que eles invadam outro planeta e um outro episódio em que a gostosa seduz o alienígena que manda nos imbecis que destróem cidades de isopor, dá o golpe do baú, resolve os problemas e ainda ganha pensão.

Falando sério agora, o ideal mesmo seria que as crianças passassem menos tempo em frente à televisão e que os pais disponibilizassem mais tempo para conversar, brincar, educar e esclarecer as coisas para os filhos.
Além do mais, hoje existe uma gama enorme de programas e canais voltados para o público infantil, alguns voltados para lutas armadas entre o bem e o mal e outros que visam a educação e o aprendizado da criança.
Basta os pais esclarecerem e orientarem seus filhos.
Mas, no final das contas, para quê diabos fazer isso, se podemos cobrar dos empresários que investem em programas infantis para educar os pimpolhos para nós?



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Nota sobre a Modernidade Líquida


"Na modernidade líquida, tudo é volátil, as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em conjunto perde consistência e estabilidade. A solidez das instituições sociais, (do estado de bem-estar, da família, das relações de trabalho, entre outras) perde espaço, de maneira cada vez mais acelerada, para o fenômeno de liquefação. De acordo com essa metáfora, a concretude dos sólidos, firmes e inabaláveis, derrete-se irreversivelmente, tomando, paradoxalmente, a amorfabilidade do estado líquido.
Fluidez, maleabilidade, flexibilidade e a capacidade de moldar-se em relação a infinitas estruturas, são algumas das características que o estado liquefeito conferirá às tantas esferas dos relacionamentos humanos citados anteriormente. Como conseqüência, vivemos um tempo de transformações sociais aceleradas, nas quais as dissoluções dos laços afetivos e sociais são o centro da questão. A liquefação dos sólidos explicita um tempo de desapego e provisoriedade, uma suposta sensação de liberdade que traz em seu avesso a evidência do desamparo social em que se encontram os indivíduos moderno-líquidos."

Por alguma razão, sempre que ouço falar em Modernidade Líquida, me vem a imagem metafórica do oceano, cuja superfície é a única parte visível e cujas profundezas são desconhecidas.


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Nota sobre o ato de escrever 3

"Os pensamentos vêm ao acaso e se vão ao acaso. Não há estratégia que permita guardá-los ou possuí-los. Um pensamento escapou: eu estava tentando anotá-lo; em vez disso, escrevo que ele me escapou." (Pascal)
O escritor, carregando apenas um lápis e uma folha em branco, iniciou mais uma de suas longas viagens.
Na parede de seu crânio, colara uma foto da vaga idéia do lugar aonde queria chegar.
Todavia, sabia com certeza que não sabia ao certo que caminhos teria de percorrer.
Era como se sempre seguisse a mesma estrada para o mesmo lugar, mas, a cada ida, tanto o caminho quanto o destino transgrediam as regras de espaço e tempo e se tranformavam.
O caminho, sempre um labirinto, mudava a todo instante e levava o autor à paisagens que jamais esperou ver.
Naquele dia, as bifurcações eram tantas que ele se perdeu de sua rota.
Planejava chegar velho ao fim do mundo em uma caminhada de poucas frases, mas quando se deu conta, viu-se transformado em um menino perdido em uma praia deserta.
Como na infância, tentava pegar com as mãos os pequenos peixinhos que eram carregados pelas ondas.
Como na infância, se via cercado de alevinos que lhe escapavam e, em suas mãos, somente areia, que lhe escorria pelos dedos.
Desistiu, então, de capturá-los e aproveitou a areia que lhe era tão farta para construir um castelo.
Megalomaníaco como qualquer criança e como qualquer escritor, a partir de seu castelo construiu seu império sem limites e sua própria religião em que ele era o único Deus.
Seu regime ditatorial lhe concedia poder suficiente para anular as leis da física, distorcer o espaço e o tempo, desafiar a lógica, enganar a morte, criar mundos e unir universos.
Em seu antigo reino, bonecos de plástico eram bravos super-heróis que salvavam o mundo da destruição por desalmados gravetos alienígenas.
Já em seu mundo recém constuído, pensamentos imateriais eram sensuais musas que seduziam palavras inocentes.
Em suas mãos, a luz da criação e em sua boca, o sopro da morte.
Era Shiva, era Tânatos, era Lúcifer, era Cronos.
Era criança, era escritor.
Riscava com um lápis o destino de seus títeres e, com eles, manipulava sensações, sentimentos e pensamentos da platéia, que anseiava para saber o que iria acontecer a seguir naquele mundo fadado a acabar, naquele universo que seria aberto e fechado diversas vezes e replicado diferentemente na mente de cada leitor.

Nota sobre as Notas sobre o ato de escrever

Nota de esclarecimento, antes que alguém pergunte: Cadê o dois? Vai do um pro três?
A primeira está no meu blog, mais exatamente aqui.
A segunda não foi escrita por mim, mas você pode encontrá-la no blog de um velho amigo, cujo link está no canto da tela e a nota, mais precisamente, está neste link.
A terceira é a que vem no post depois deste aqui.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Notas sobre o Conflito

Nota n°1
"Era uma vez um casal que se conheceu, se beijou e se comeu.
Depois disso, os dois se apaixonaram e viveram felizes para sempre."
Ninguém, nem mesmo a mais ridícula das adolescentes, jamais acharia uma comédia romântica (leia-se brega) a melhor se o casal não tivesse uma briga ou não fosse separado perto do final feliz do filme.
Ninguém, nem mesmo a mais banguela das velhinhas, jamais elogiaria uma novela se não tivesse uma vilã sem escrúpulos na trama.
Pois é, o conflito se mostra necessário desde as coisas mais estúpidas da vida.


Nota n°2
O princípio mais básico da felicidade: o alívio que se sente ao tirar botas apertadas ou o barato prazer de se descobrir e se cobrir novamente numa noite fria.
Este princípio não difere muito da sensação que se tem ao soltar a pele após se biliscar fortemente durante alguns segundos.
Por sua vez, em grau mais elevado, temos os sado-masoquistas considerados anormais escórias da sociedade, que se auto-flagelam pra valer.
Na essência, porém, somos todos meio masoquistas.


Nota n°3
Outro princípro, o básico dois da felicidade:
Ver alguém se fuder e, apesar de dizer "que horror" ou "que dó" ou ainda "que deus a tenha", no fundo (alguns nem tanto) dizer "haha, se fudeu" ou "antes ele do que eu".
Ver alguém indo de mal a pior nos faz, por um momento, parar de olhar para cima, nos aliviando do torcicolo da inveja, e olhar para baixo, ato que nos faz sentir um leve carinho no ego.


Nota n°4
Todo final de férias, os mesmos estudantes que no final das aulas estavam entediados do período letivo, estão entediados do período vagabuntivo.


Nota n°5
Animado com algo novo e divertido?
Seu novo emprego é demais?
Pombinhos apaixonados no paraíso?
É bom aproveitar, porque amanhã vira rotina.



Nota n°6
Dizem as más línguas (ou seja, todas) que pobre sempre reclama que nunca tem nada, mas quando tem enchente reclama que perdeu tudo.
Por outro lado, por exemplo, qualquer pessoa só dá real valor à saúde depois de perdê-la.
Ou seja, não importa quão rico alguém é, todo mundo é pobre.


Nota n°7
Tudo que é bom faz mal.
Desde o bacon ao ar que você respira, incluindo aí sexo, drogas e rock n' roll.
E que mal viu, um mal estar da civilização (como diria Freudão).


Nota n°8
Cria tu teu filho radicalmente de um jeito e verás que ele, ao crescer, será o oposto.
Que assim seja.


Nota n°9
Que mané paz mundial o quê.
O que é bom para ti quase nunca será bom para mim e vice versa.
O mesmo vale para todas as outras pessoas, do singular e do plural.



Nota n°10
Se não fossem os antigos e suas guerras, hoje não teríamos tal domínio sobre a metalurgia.
Se não fossem feridas abertas e falta de tempo, material e gente na Guerra do Vietnã, hoje não teríamos o privilégio de colar nossos dedinhos no vaso com Superbonder.
Se não fossem os nazistas e a visão de mercado da Coca-cola, hoje não teríamos a Fanta.
Se não fosse a Guerra Fria e a corrida espacial para ver quem conseguia mísseis
intercontinentais melhores e mais rápido (ou você achava que apostaram um picolé de limão para ver quem chegava na lua primeiro?), hoje não teríamos satélites, celulares nem pasta de dente para criança (para os astronautas engolirem).
O melhor combustível do progresso sempre foi a Guerra.
Queima que é uma beleza.
Cidades, mulheres e crianças.



Nota n°11
Nossa História, ó grandiosa história da, ó, gloriosa humanidade, foi inteiramente escrita com sangue e petróleo pelas habilidosas mãos da ganância.
Estas mãos firmes que seguram a pena e... espere um pouco, tenho quase certeza que ela não tem pena nenhuma.



quarta-feira, 5 de março de 2008

Nota sobre o ato de escrever

Todo escritor é um colecionador de idéias, um arquivo de rascunhos mentais.
Sua mente é uma mente sem âncora num mar turbulento que, no caminho para materializar em palavras seus pensamentos e divagações, perde grande parte daquilo que carregava no início da jornada e, quiçá, se perdendo de sua rota inicial ou mesmo naufragando.
Embora alguns possam dizer que o ser humano pensa por palavras, algumas idéias são indizíveis, intraduzíveis para uma linguagem convencional.
Assim, às vezes, mesmo inspirado e com idéias palpitantes, o escritor põe a caneta no papel, mas deixa-o em branco.
Certas coisas abstratas têm como barreira de comunicação o mundo físico.
Por outro lado, às vezes, sem idéia nenhuma, o escritor toca o papel com a caneta e palavras começam a jorrar da ponta desta, preenchendo o papel quase como uma criatura independente.
Mais que um desejo do próprio artista, é um desejo comum de ambos objetos.
Ou talvez, mais que um simples desejo, é uma necessidade física que ambos, como dois amantes na calada da noite, sentem.
O escritor, assim, torna-se um instrumento que permite que as palavras, até então espectros imateriais, ganhem corpo físico ao marcarem o papel.
Escrever torna-se, então, um ato ambivalente.
É preciso pensar para escrever, mas, às vezes, é preciso escrever para poder pensar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Nota sobre a memória

Como uma mensagem em ondas de rádio enviada ao espaço sideral, alguns momentos que penetram na memória iniciam uma longa jornada na escuridão, suspensos no vácuo, até algum distante tempo-espaço, onde são captados por uma civilização mais avançada, decodificados e compreendidos ou erroneamente interpretados.
Mas os fatos guardados na memória são também como a luz das supernovas, que só enxergamos muito tempo depois da morte da estrela, mas que nos fazem acreditar que ela ainda está lá, viva e brilhante, e que os sonhadores seguem na chance de descobrir novas terras.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Nota sobre o Natal 2

Ele nos vigia o ano inteiro.
Ele sabe quem fez besteira quem não fez.
Ele sabe tudo o que você aprontou escondido.
Ele sabe onde o Bin Laden está escondido.
Ele sobrevive por royalties da Coca-Cola, que pagou pra ele mudar o uniforme de azul para vermelho.
Ele dá presentes caros para crianças ricas e brinquedos vagabundos para as crianças pobres.
Ele contrata milhões de gorduchinhos barbudos para fazer propaganda de sua imagem.
Ele pagou uma nota para comprar a posse do Natal de Jesus.
Ele gosta muito de crianças.
E só de crianças.
Ele sabe o que você fez no verão passado.
E as pessoas ainda acham ele legal.


Aposto que o Papai Noel trabalha para a CIA.


Nota sobre o Natal 1

Acredito em duendes, fadas, gnomos, papai noel e deus.