segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nota sobre programas infantis

Li uma matéria esses dias que falava sobre os Power Rangers e alguns outros programas infantis.
A pedagoga entrevistada afirmava que, apesar de mostrar pelo maniqueísmo que o bem e os valores morais são superiores ao mal, infelizmente ensina aos pequenos que a paz só se dá pelo uso da violência e da força bruta, sendo que o ideal seria o programa mostrar que na vida, a resolução de problemas pode se dar também por outros meios.

De acordo.

Todavia, lembrei que não só os Power Rangers, mas clássicos que marcaram minha infância como Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion e mesmo Tom & Jerry ou Pica-Pau (sendo que estes dois muitas vezes mostravam que o mal compensava muito bem), também mostravam que tudo se resolve na base do Cólera do Dragão, Espada Olímpica, bombas, dinamite, marretas, pianos como peça de artilharia, armadilhas entre outros, mas nem por isso minha geração termina um namoro com Meteoro de Pégasus ou esconde uma dinamite no sanduíche do chefe da empresa.

Além disso, mostrar idiotas vestidos com
um capacete e com uma roupa colorida coladinha numa assembléia com monstros de resina e isopor decidindo democraticamente quem ganhará, certamente não atrairia as crianças. Elas gostam de faíscas.
Talvez se os monstros intergaláticos pudessem mexer os braços, eles pudessem resolver as coisas com os mocinhos multicoloridos numa partida de poker.
Ou os Rangers poderiam passar para o lado de lá, afinal, quando um não quer, dois não brigam.

Ora ora, mas, convenhamos, temos de ensinar as gerações futuras como a vida é.
Pensei em um episódio em que o líder vermelho desvia dinheiro dos outros e suborna os monstros para que eles invadam outro planeta e um outro episódio em que a gostosa seduz o alienígena que manda nos imbecis que destróem cidades de isopor, dá o golpe do baú, resolve os problemas e ainda ganha pensão.

Falando sério agora, o ideal mesmo seria que as crianças passassem menos tempo em frente à televisão e que os pais disponibilizassem mais tempo para conversar, brincar, educar e esclarecer as coisas para os filhos.
Além do mais, hoje existe uma gama enorme de programas e canais voltados para o público infantil, alguns voltados para lutas armadas entre o bem e o mal e outros que visam a educação e o aprendizado da criança.
Basta os pais esclarecerem e orientarem seus filhos.
Mas, no final das contas, para quê diabos fazer isso, se podemos cobrar dos empresários que investem em programas infantis para educar os pimpolhos para nós?



Um comentário:

K. disse...

Só a violência resolve. Os desenhos nunca mentem.

É por isso que o Estado se chama Estado.

Aliás, você me deu uma idéia...