terça-feira, 2 de outubro de 2007

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Estarrecida, a multidão aglomerava-se em frente à grande escultura de metal.
Trágica e artística, a obra causava tamanho fascínio naqueles que a viam que os guardas no local montaram uma barreira para impedir que os expectadores tocassem o objeto.
No ápice de sua expressividade, o artista realizara sua última escultura em uma performance inigualável.
No auge do domínio de sua técnica, o mestre testara todos os limites de seu instrumento antes de chegar ao resultado final.
Com sua expressividade única, a escultura abstrata tocava a todos, sem exceção.
Era uma verdadeira obra prima, portadora de um
tamanho poder que, mesmo aqueles que estavam mais longe e ainda não a haviam visto, sabiam que havia algo demasiadamente humano escondido em algum lugar daquela forma irreconhecível.
Era como se o sangue ainda quente do próprio artista estivesse correndo lá dentro, buscando uma fresta para libertar-se da obra.
Vista de um determinado ângulo, era possível ver o próprio autor da obra e seu rosto sereno, com um leve sorriso de quem atingiu seu sonho.
Do outro lado, alguns afirmavam conseguir ver uma mulher com uma agonizante expressão de horror.
Fosse o que vissem, o fato é que o metal retorcido emocionava todos aqueles que o viam.
Lágrimas, espanto, curiosidade, indignação, fascínio e horror.
Entre tantos sentimentos em pessoas tão diferentes, o artista conseguiu tocar a verdadeira essência humana.
Sem exceção, todos queriam ver por si mesmos o metal disforme, mesmo sabendo das fortes emoções que tal visão poderia lhes causar, pois no fundo sabiam que todos aqueles que viram a obra sentiam, silenciosamente, alívio e prazer por não estarem no lugar da mulher morta, presa no carro jogado para fora da estrada pelo grandioso artista
.

Um comentário:

K. disse...

hahahahahaha

foi proposital???

Kiyoshi, estou pensando.
vamos unificar os blogs (criar um blog em conjunto)?

eu você e um hermano que escreve bem pacas?

abraço